Não faz tanto tempo assim, criar uma identidade visual, uma campanha ou até uma apresentação minimamente bonita exigia algum domínio técnico. Ou, pelo menos, algumas boas horas brigando com um software.
Hoje, você abre o Canva, escreve o que precisa e a IA sugere layout, texto, imagem, vídeo e provavelmente daqui a pouco também pergunta se você quer um cafezinho.
E isso é ótimo, de verdade.
A inteligência artificial deixou a criação mais acessível, acelerou processos e resolveu em segundos tarefas que antes consumiam uma quantidade meio absurda de tempo. Mas também trouxe uma questão interessante para quem trabalha com comunicação: se todo mundo tem acesso às mesmas ferramentas e consegue criar alguma coisa em poucos minutos, onde passa a estar o valor do trabalho criativo?
A IA não acabou com a criação. Ela deixou a régua mais alta.
Canva, ChatGPT e tantas outras ferramentas reduziram bastante a distância entre ter uma ideia e conseguir executá-la.
Para pequenos negócios, isso significa mais autonomia. Para profissionais criativos, menos tempo gasto com tarefas operacionais. Para todo mundo, significa conseguir produzir muito mais.
E é justamente aí que começa o problema.
Quando ficou mais fácil fazer um post bonito, ter um post bonito deixou de ser um grande diferencial.
O mesmo vale para uma apresentação bem diagramada, uma imagem interessante ou até uma identidade visual esteticamente agradável. A internet já está cheia de coisas bonitas. Com IA, vai ficar ainda mais.
O risco é que ela também fique cheia de coisas muito parecidas.
Basta pedir uma “marca sofisticada e minimalista” para descobrir que existem infinitas variações de bege, serifas elegantes e fotografias com bastante espaço em branco esperando por você.
Se a execução ficou mais fácil, a escolha ficou mais importante
A IA é muito boa em oferecer possibilidades: você pode pedir dez nomes, vinte headlines, cinco caminhos visuais e outras quinze versões porque não gostou das primeiras.
Só que, em algum momento, alguém precisa olhar para tudo aquilo e entender o que realmente faz sentido para aquela marca.
É aí que estratégia, repertório e direção criativa começam a pesar ainda mais.
Não basta perguntar se uma peça está bonita. Ela precisa conversar com o público certo, transmitir a percepção que a marca quer construir, funcionar junto com todo o restante da comunicação e, de preferência, não parecer exatamente com outras 48 empresas do mesmo segmento.
E onde fica o designer nessa história?
Provavelmente bem menos preocupado em recortar fundo de imagem manualmente (ainda bem!) e cada vez mais envolvido nas decisões que vêm antes e depois da execução.
É importante lembrar que design nunca foi só saber usar uma ferramenta. Um bom projeto começa entendendo o negócio, o público, o mercado e o espaço que aquela marca pode ocupar. Depois vêm as escolhas visuais. E nenhuma delas deveria existir simplesmente porque “ficou bonito”.
A IA pode ajudar a chegar mais rápido a diferentes caminhos, testar possibilidades e tirar tarefas repetitivas da frente. O problema começa quando ela deixa de ser ferramenta e passa a tomar o lugar da direção criativa.
Se todo mundo busca referências nas mesmas plataformas, usa prompts parecidos e aprova os mesmos códigos estéticos, uma tecnologia criada para ampliar possibilidades pode acabar produzindo justamente o contrário: um monte de marcas diferentes com a mesma cara.
Então ainda vale contratar um designer?
Se o trabalho for apenas “fazer uma arte”, talvez nem sempre.
Fingir que a tecnologia não mudou essa dinâmica seria ignorar o que está acontecendo bem na nossa frente.
Mas, se a ideia é construir uma marca reconhecível, encontrar uma linguagem própria e tomar boas decisões em meio a tantas possibilidades, o trabalho criativo continua tendo bastante espaço. Talvez até mais do que antes.
O que mudou foi onde está o valor.
Saber executar continua importante. Saber o que vale a pena executar ficou ainda mais.
Ah! E pode deixar a IA aberta na outra aba. A gente também deixa 😉
Quer construir uma marca que tenha alguma coisa para dizer?
Na Amma, estratégia, identidade e comunicação vêm antes da ferramenta. Conheça nossos projetos ou fale com a gente sobre a sua marca.

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